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Em relatório, Banco Mundial alerta para alta violência na América Latina e Caribe
[13/09/2016]


A violência geralmente começa quando vários fatores interagem em combinações que podem variar de
um país a outro e até mesmo de uma cidade à outra, disse o Banco Mundial. Foto: vitoj / Shutterstock



Na América Latina e no Caribe ocorrem 400 homicídios por dia ou quatro a cada 14 minutos. Essas estatísticas, parte de um relatório a ser publicado pelo Banco Mundial, ressaltam a necessidade de pôr fim à epidemia de violência nas cidades da região. A violência pode ser prevenida com compromisso de longo prazo e com um conjunto de políticas públicas, afirmou a instituição.

No início da década de 1990, o medo do crime e da violência era uma característica de definição da vida em Medellin, a segunda maior cidade da Colômbia. Em 1991, a taxa de homicídios alcançou o auge alarmante de 381 por 100 mil habitantes, tornando Medellin o lugar mais violento da Terra.

Vinte e cinco anos depois, o número de homicídios caiu para cerca de 20 por 100 mil habitantes e agora Medellin se classifica como uma das cidades mais habitáveis e inovadoras da América Latina. Outras cidades latino-americanas alcançaram progresso semelhante, tais como Cali, também na Colômbia, e Diadema, no Brasil, disse o Banco Mundial.

Segundo a instituição, cada uma dessas três cidades conseguiu reduzir a criminalidade e a violência de forma significativa mediante a implementação de programas adaptados à sua situação específica e procurou erradicar as causas básicas da violência.

Em Medellin, melhorias na situação de segurança resultaram no desmantelamento de cartéis de drogas violentos e em uma série de projetos de desenvolvimento urbano e social inovadores que ajudaram a integrar bairros empobrecidos dos morros com o restante da cidade.

Em Diadema, estudos revelaram que uma grande proporção de crimes ocorria à noite em ruas específicas e estavam diretamente relacionados com o consumo de álcool.

Com base nessas constatações, a cidade direcionou suas intervenções às áreas de conflito, proibiu a venda de álcool nos bares depois das 23h e combinou intervenções sociais para reforçar o capital social e humano. Três anos mais tarde, o número de agressões contra mulheres tinha diminuído 5% e a taxa de homicídios caiu 45%, salvando mais de 100 vidas por ano.

No entanto, esses resultados promissores contrastam drasticamente com a experiência de muitas outras cidades, de acordo com a instituição. Apesar de um crescimento impressionante do PIB e um declínio acentuado da pobreza extrema, a América Latina e o Caribe ainda presenciam uma média anual de 24 homicídios por 100 mil habitantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera uma taxa acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes como característica de violência epidêmica. Isso significa que em muitos países a violência tem realmente atingido proporções preocupantes.
Jovens em risco

A violência é epidêmica e os jovens são o maior grupo de risco. Na América Latina, a taxa de homicídios de homens de 15 a 24 anos chega a 92 por 100 mil habitantes, quase quatro vezes a média regional.

Jovens de 22 a 29 anos de idade, predominantemente do sexo masculino, são também os principais perpetradores de crime e violência, de acordo com o relatório a ser divulgado neste semestre pelo Escritório do Economista-Chefe para a Região da América Latina e Caribe do Banco Mundial.

O estudo– “Stop the Violence in Latin America: A Look at Prevention from Cradle to Adulthood” (Eliminando a Violência na América Latina: Perspectiva da Prevenção do Berço à Idade Adulta) – examina políticas inovadoras de prevenção da violência que têm demonstrado capacidade de reduzir comportamentos antissociais e padrões de criminalidade em jovens e adultos. O estudo também mostra o complexo panorama da violência na região.

“Por mais sombrias que sejam as estatísticas globais e regionais, as histórias de sucesso como as de Medellin, Cali e Diadema enviam uma mensagem clara: com as políticas corretas e um compromisso de longo prazo com a redução da criminalidade, a violência juvenil urbana pode ser prevenida”, disse Markus Kostner, gerente de práticas de desenvolvimento social do Banco Mundial para a região da América Latina e do Caribe.
“Temos precedentes testados pelo tempo para comprovar que estratégias bem formuladas concentradas na prevenção produzem resultados tangíveis e duradouros.”
Questão de saúde pública

As intervenções mais eficazes tratam a violência epidêmica com uma crise da saúde pública. Inspiradas em grande parte pela epidemiologia, as políticas bem-sucedidas examinam a violência como um fenômeno alimentado por uma combinação de fatores de risco decorrentes de circunstâncias individuais e sociais, incluindo estar exposto à violência doméstica durante a infância, alta desigualdade, sistemas e políticas deficientes e falta de oportunidades de emprego, entre muitos outros elementos.

A violência geralmente surge quando vários desses fatores interagem em combinações que podem variar de um país a outro e até mesmo de uma cidade à outra.

“Essa é a razão pela qual as estratégias de prevenção da violência são quase sempre multissetoriais e de contexto específico”, disse Chloë Fèvre, especialista sênior em desenvolvimento social do Banco Mundial. “Precisam também ser sensíveis ao gênero e colocar os jovens na frente e no centro: quanto mais cedo na vida esses fatores de risco puderem ser neutralizados, maior serão as possibilidades de êxito.”

Tomar medidas contra a violência é um imperativo do desenvolvimento. A violência endêmica se traduz em menor produtividade, piores indicadores de saúde e altos custos de segurança. O custo cumulativo da violência é alarmante – atingindo até 10% do PIB em alguns países – com consequências negativas de longo prazo sobre o desenvolvimento humano, social, econômico e sustentável.
 

Fonte: ONU


 

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